Intermediários

O LABIRINTO DOS INTERMEDIÁRIOS: COMO A FALTA DE REGULAÇÃO ESTÁ CUSTANDO MILHÕES AOS ANGOLANOS EM LUANDA


 

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Em muitos bairros da capital, qualquer pessoa pode apresentar-se como “corretor” ou “agente imobiliário”, sem formação, sem licença e sem qualquer responsabilidade legal. Este cenário abriu espaço para práticas desorganizadas, cobranças abusivas e negócios mal conduzidos, onde o prejuízo quase sempre recai sobre o comprador ou arrendatário.

É comum um mesmo imóvel ser anunciado por vários intermediários ao mesmo tempo, cada um com um preço diferente. O interessado acaba por pagar mais do que o valor real, pressionado pelo medo de “perder o negócio”. Em alguns casos, descobre mais tarde que o imóvel nem sequer estava disponível ou que o verdadeiro proprietário nunca autorizou a negociação.

Outro problema recorrente é a cobrança antecipada de comissões. Muitos intermediários exigem pagamentos antes mesmo de existir contrato assinado ou confirmação legal do imóvel. Quando o negócio não avança, o dinheiro raramente é devolvido. Estas situações repetem-se diariamente em Luanda, sobretudo em zonas com maior procura habitacional.

A ausência de regras claras também facilita esquemas mais graves. Há casos de pessoas que pagam sinal por imóveis com documentação irregular, terrenos em litígio ou casas com vários herdeiros. Sem acompanhamento profissional e sem verificação adequada, o sonho da casa própria transforma-se num problema jurídico que pode durar anos.

Os proprietários também saem prejudicados. Muitos entregam os seus imóveis a intermediários informais que prometem rapidez, mas acabam por afastar potenciais interessados com preços inflacionados ou informações contraditórias. O resultado é um imóvel parado, sem rendimento, e uma imagem negativa associada ao negócio.

Este ambiente de desconfiança afasta investidores sérios e trava o crescimento saudável do mercado imobiliário em Luanda. Quando não há transparência, todos perdem: quem compra, quem vende e quem procura investir com segurança.

Nos últimos anos, tem crescido a procura por soluções mais organizadas e digitais. Plataformas imobiliárias estruturadas surgem como alternativa a este cenário caótico, ao centralizar informações, reduzir intermediários desnecessários e oferecer maior clareza nos processos. Ao permitir contacto directo, anúncios verificados e gestão mais profissional, estas plataformas ajudam a devolver confiança ao mercado.

A Kazota nasce precisamente neste contexto, com o objectivo de simplificar o acesso ao mercado imobiliário e reduzir os riscos associados à intermediação informal. Ao promover organização, visibilidade e transparência, contribui para um ambiente mais seguro tanto para proprietários como para interessados.

Enquanto não existir uma regulação efectiva e fiscalização consistente, o peso da cautela continuará a recair sobre o cidadão comum. Informar-se, comparar opções e evitar pagamentos sem garantias são passos essenciais para não cair nas armadilhas do sistema actual.

O mercado imobiliário de Luanda tem potencial, mas precisa de ordem. Até lá, navegar neste labirinto exige atenção redobrada, escolhas conscientes e ferramentas que ajudem a separar oportunidades reais de prejuízos anunciados.